21.6.10

Boas Novas




A sala de cinema, localizada na Rua Fradique Coutinho, 361, em Pinheiros, famosa desde 1959 já teve vários nomes e patrocinadores. Nesta quarta-feira, 16, a Sabesp (Companhia de Saneamento do Estado de São Paulo) inaugurou o novo patrocínio, que deu direito até na mudança do nome, Cine Sabesp.

Agora, a sala tem toda a decoração voltada à educação ambiental. Segundo superintendente de comunicação da Sabesp, Adriano Stringhini, nada será mudado na programação, que é dirigida pela Cinearte. "As pessoas daquela redondeza tem grande carinho pelo cinema. Não vamos mudar nada na programação, decoramos com a nossa marca e estamos desenvolvendo projetos educacionais", complementa.

Rodrigo Mathias, analista de comunicação e responsável pelo ‘Projeto Sabesp para quem tem Sede de Cultura', explica que a estratégia de comunicação é aproximar a população da educação ambiental. "Em uma 1ª fase adotamos a estação Pinheiros da CPTM, onde realizamos a educação por meio da Estação do Conhecimento Sabesp. Nessa 2ª fase, adotamos o super tradicional cinema da vila", conta.

A empresa segue o modelo de ensinar tanto para adultos, crianças e funcionários a importância da responsabilidade sócio ambiental. O patrocínio foi acordado num prazo inicial de três anos, com direito de preferência para renovação em um valor de R$ 240.000,00 por ano.

A Lew Lara criou um logo especial para representar o Cine Sabesp e deve lançar a campanha de divulgação na próxima semana.

Interatividade

O público pode interagir resgatando a história do cinema em dois computadores com tela touch. Grandes nomes do cinema brasileiro como moradores da região e outros frequentadores poderão dar seus depoimentos (com duração de 15 segundos) sobre a sala de cinema.

Essa iniciativa tecnológica é da Grape Marketing, que em parceria com a Sabesp vem posicionando a marca. Ricardo Assumpção, diretor de operações da empresa, contou que desde a Estação do Conhecimento as duas empresas tem posicionado a marca com uma séria preocupação com o meio ambiente.

"Levamos a mesma linguagem, com tecnologia, no cinema", declarou. Na sala de espera, o Cine Sabesp disponibilizou algumas TVs para mostrar, de forma simplificada, todo o ciclo da água. Ao lado da cafeteria, no iCine, o público pode assistir aos filmes que a Sabesp já patrocinou.

Em vez de telas, a Grape Marketing trouxe para o Brasil óculos que dão dimensão de 60 polegadas, é possível ouvir e trocar o filme nele mesmo. De acordo com Assumpção, a Grape investiu 60 mil reais em equipamento tecnológicos. "A Sabesp não apenas colocou a marca no cinema, nós criamos um lobby totalmente diferente com uma série de atividades.", conta.

Escolas públicas, professores, grupos, funcionários, farão parte de um programa de inclusão social. Debates também serão feitos, a exemplo deste sábado: será transmitido o filme ‘As melhores coisas do Mundo' e logo após o jornalista Gilberto Dimenstein, um dos autores da série de livros que inspirou o longa metragem, participará de uma discussão sobre bullying com educadores.

17.6.10

Os 100 melhores filmes do cinema mundial

A matéria abaixo foi originalmente publicada no portal do UOL:

A revista britânica Empire divulgou, nesta semana, uma lista com os 100 melhores filmes do cinema mundial. O longa brasileiro “Cidade de Deus”, de 2002, dirigido por Fernando Meirelles, conquistou o sétimo lugar. Produções da Grã-Bretanha e dos Estados Unidos não participaram do ranking.

Sobre o porquê do filme merecer estar entre os 100 melhores, o site afirma: “O retrato do lado sombrio das favelas do Rio de Janeiro é o que chamou a atenção de todos, mas a surpreendente naturalidade do inexperiente e grande elenco jovem fez o filme ir além e não ser mais um festival de pobreza.”

A Empire também elogiou a filmagem, alegando que as cores são tão brilhantes que o sangue se torna quase um outro tom. Além de “Cidade de Deus”, o longa de 1998, “Central do Brasil”, de Walter Salles, foi o único a figurar na lista da revista, só que na 57ª posição.

Confira a lista completa:

1º - Os Sete Samurais
2º - Amelie
3º - Encouraçado Potemkin
4º - Ladrões de Bicicleta
5º - O Labirinto do Fauno
6º - A Batalha de Argel
7º - Cidade de Deus
8º - O Sétimo Selo
9º - Le Salaire de la peure
10º - A Viagem de Chihiro
11º - A Doce Vida
12º - Metrópolis
13º - A Regra do Jogo
14º - Trilogia das Cores
15º - Deixa Ela Entrar
16º - Tokyo Story
17º - The Apu Trilogy
18º - Oldboy
19º - Aguirre, A Cólera dos Deuses
20º - E Sua Mãe Também
21º - Nosferatu
22º - Rashomon
23º - O Espírito da Colmeia
24º - Vá e Veja
25º - O Barco - Inferno no Mar
26º - A Bela e a Fera
27º - Cinema Paradiso
28º - Lanternas Vermelhas
29º - Os Incompreendidos
30º - Conflitos Internos
31º - Godzilla
32º - O Ódio
33º - M - O Vampiro de Dusseldorf
34º - Valsa com Bashir
35º - A Grande Ilusão
36º - Dekalog
37º - Roma - Cidade Aberta
38º - Cinzas e Diamantes
39º - O Último Samurai
40º - A Aventura
41º - My Neighbour Totoro
42º - Amor à Flor da Pele
43º - Cyrano de Bergerac
44º - Ikiru
45º - Suspiria
46º - Jules et Jim, Uma Mulher para Dois
47º - 10
48º - Downfall
49º - M. Hulot’s Holiday
50º - Closely Observed Trains
51º - Akira
52º - Touki Bouki
53º - All About My Mother
54º - Festen
55º - Lagaan
56º - A Bela da Tarde
57º - Central Do Brasil
58º - Persépolis
59º - Heimat
60º - Jean de Florette / Manon des Sources
61º - Knife in the Water
62º - 8 1/2
63º - O Profeta
64º - Wings of Desire
65º - Um Cão Andaluz
66º - Crouching Tiger, Hidden Dragon
67º - The Vanishing
68º - Solaris
69º - Ringu
70º - Hard Boiled
71º - Persona
72º - Ten Canoes
73º - Hidden
74º - Devdas
75º - Acossado
76º - The Idiots
77º - House of Flying Daggers
78º - Women on the Verge of a Nervous Breakdown
79º - Bande A Part
80º - Mother India
81º - The Host
82º - Batalha Real
83º - Xala
84º - Orfeu
85º - O Conformista
86º - Corra, Lola, Corra
87º - Andrei Rublev
88º - Leningrad Cowboys
89º - Loves of a Blonde
90º - Rififi
91º - Goodbye Lenin
92º - Ghost in the Shell
93º - The Fourth Man
94º - Yeelen
95º - Way of the Dragon
96º - Delicatessen
97º - Farewell My Concubine
98º - Ran
99º - Iron Monkey
100º- Guardiões da Noite

16.6.10

Acontece por ai!

YouTube e Guggenheim buscam 'vídeo mais criativo do mundo'
Qualquer pessoa pode participar do concurso lançado nesta segunda (14).
Vídeos enviados até o dia 31 de julho serão julgados por especialistas.

O YouTube e a Fundação Solomon R. Guggenheim (responsável pelos museus Guggenheim), com apoio das empresas HP e Intel, anunciaram nesta segunda-feira (14) o concurso Play – Bienal do Vídeo Criativo Guggenheim, que está à procura do vídeo on-line mais criativo do mundo. A competição é aberta a internautas do mundo todo.
Concurso escolherá um entre os vídeos enviados até o dia 31 de julho.
Segundo Ed Sander, diretor de marketing do portal de vídeos, a ideia é "democratizar os processos" de captação e reconhecimento no mundo da arte, assim como "dar mais oportunidades aos criadores" que usem o formato do vídeo, "o meio de expressão desta era".
Uma página dedicada ao concurso foi criada no portal,(www.youtube.com/play)com mais informações sobre o projeto. O prazo para enviar os vídeos é 31 de julho. Especialistas vão avaliar as obras entre os dias 21 e 24 de outubro nas sedes em Nova York, Bilbao, Berlim e Veneza.

12.6.10

Produção Publicitária

Protagonistas de comerciais voltados a aventureiros com cenas que exaltam basicamente o arrojo e a potência, as picapes 4x4 ganharam uma nova leitura. Pelas mãos da AlmapBBDO, entra no ar, neste domingo 30, o comercial de lançamento da Amarok, a primeira aposta da Volkswagen para concorrer no segmento brasileiro de picapes de médio porte.

A proposta da agência é recorrer à emoção para falar de um produto de características naturalmente brutas. Para tanto, o filme de estreia mostrará a relação de um menino e sua elefantinha ao longo de toda a vida. Korama, como é chamada, é o menor animal de toda uma manada e acompanha o garoto em todas as fases de sua vida, desde a infância até o nascimento de seu filho carregando a todos para todos os lados.

Com o tempo, porém, Korama envelhece e passa a não conseguir mais levar seu companheiro nas costas. É quando entra em cena a picape Amarok, já que chegou o momento da inversão de papéis. É hora de Korama ser carregada pelo carro de seu dono. "A Amarok aparece como o instrumento de retribuição para coroar a amizade. Junto também deixamos claro o espírito da marca Volkswagen, que vende mais do que carro.

Vende emoção e companheirismo", ressalta Luiz Sanches, diretor de criação da Almap.
A escolha da elefanta como animal de estimação é justificada pelo fato de a campanha ter como objetivo enfatizar os conceitos de tecnologia e resistência, além de mostrar que a Amarok tem a maior caçamba da categoria capaz de suportar cerca de uma tonelada. "No entanto, para as cenas finais em que a Korama aparece na caçamba em movimento, o animal verdadeiro foi substituído por uma imagem em 3D", revela Sanches.

Com duração de um minuto, o comercial teve criação de Rynaldo Gondim e Andre Nassar e foi filmado na Índia pela produtora argentina Rebolucion, com direção de Armando Bo - mesmo do premiadíssimo "Cachorro-peixe". Além do filme, a campanha possui anúncios em páginas quádruplas, triplas e duplas que utilizam fotografias de Leonardo Vilela feitas ao longo de dez dias de viagens pela Índia. Na segunda fase, a campanha contará ainda com ações especiais na web. Ao preço de R$ 120 mil, a nova Amarok chega às concessionárias ao mesmo tempo que a campanha começa a ser veiculada.

Filmes Publicitários Classicos do mercado Brasileiro

Acontece por ai!

Ida Walked Away from takcom™ on Vimeo.

Acotece por ai!

A Diversidade na Unidade

Cultura Audiovisual


A produção audiovisual – o cinema e, particularmente, a televisão – é um caso exemplar e se constitui num dos setores mais sólidos da economia da cultura. Com relação ao cinema, a sua expansão começou nos anos 30 nos Estados Unidos, durante a recessão provocada pela queda da bolsa em 1929. No final da década, a indústria cinematográfica já havia se transformado na 14ª dos Estados Unidos em volume e na 11ª em patrimônio, sendo que na ocasião existiam mais cinemas (15.115) do que bancos no país (14.952).
Inicialmente o boom da indústria cinematográfica foi um fenômeno identificado com os grandes estúdios de Hollywood. Após o final da Segunda Guerra Mundial, emergiram novos pólos cinematógráficos, em diferentes países, que, apesar de apoiados em bases indústriais pouco sólidas, conseguiram um impacto cultural muito forte, vindo a redirecionar não apenas os caminhos da produção e da linguagem cinematográficas, mas também o papel do cinema enquanto produção cultural no mundo contemporâneo. Podem ser citados como exemplares o cinema neo-realista italiano, logo após a guerra, a nouvelle vague francesa e o cinema novo no Brasil. A maior parte dos governos não ficou insensível ao potencial cultural explosivo desses produtores emergentes, dando-se conta também que um movimento apoiado em bases culturais tão frágeis não teria condições de ir adiante sem o respaldo de subsídios do Estado.
Paralelamente, ocorreu um outro fenômeno, que foi a expansão da indústria televisiva, com o preço dos aparelhos domésticos tornando-se cada dia mais acessível, configurando-se no novo campo audiovisual como uma ameaça à indústria cinematográfica. Na França, desde o início da década de 70, o Estado passou a intervir gradativamente no setor. Depois dos anos 80, com a expansão das televisões comerciais francesas, multiplicaram-se os núcleos de pesquisa em torno da questão, que passaram a se constituir numa das bases da construção de um projeto de políticas públicas na área.
No livro Cinema, Estado e lutas culturais, anos 50/60/70 (Ortiz Ramos, 1983), é enfocado o início desse processo no Brasil, com a criação da Embrafilme, no final dos anos 60, e seu desenvolvimento pleno na década de 70. O cinema brasileiro chegou a produzir 100 filmes em 1978 e ficou na faixa de 80 a 100 filmes nos anos 80, indo à bancarrota com a chegada de Collor à Presidência do país, que praticamente extinguiu o aparato de fomento estatal. Na França, até hoje o Estado mantém apoio ao cinema, que vem conseguindo, durante toda a década de 90, ocupar cerca de 30% a 40% do mercado, enfrentando seu principal opositor que é, obviamente, os Estados Unidos (Documentation Française, 1998).
Na Europa presenciou-se – desde 1995, mas com mais intensidade a partir de 1997 – uma verdadeira revolução no campo da produção cinematográfica, através das televisões privadas, na tentativa de fazer frente às produtoras norte-americanas, transformando-se nas principais agentes do cinema europeu contemporâneo. Itália, França, Alemanha, Espanha e Reino Unido – nesta ordem – são os pólos cinematográficos mais beneficiados por essa ação. A parceria entre cinema e televisão na Europa não é nova. Ela surgiu na década de 70, por uma determinação das políticas culturais nacionais, visando a proteção das indústrias cinematográficas locais. No entanto, foi apenas nas últimas duas décadas, através das cadeias privadas, numa política de consolidação da indústria audiovisual européia, que essa relação veio assumir grandes proporções, transformando a televisão numa parceira fundamental do cinema. O canal + (Plus) francês aparece como o mais importante agente desse processo, tendo sido responsável pela realização de 108 produções cinematográficas, em 1997, e 111, em 1998 (Le Monde, junho de 1999). Embora o parque cinematográfico europeu fique com a maior fatia dos investimentos, a atuação do canal + é mais desterritorializada, sendo que algumas produções brasileiras já vêm se beneficiando com ela. Um exemplo é o filme dirigido por Walter Salles, "O primeiro dia", que foi uma produção da televisão francesa. Paralelamente, o Estado francês, ancorado em instituições como o CNC (Centre National de la Cinematographie), o INA (Institut National de l'Audiovisuel) e o CSA ( Conseil Supérieur de L'Audiovisuel), que atuam simultaneamente como núcleos de pesquisa e agências de fomento à produção, vem desempenhando um papel fundamental no desenvolvimento da indústria cinematográfica francesa.
Boa parte dessa nova geração de pesquisadores pode contar com recursos vultosos que lhes possibilitaram a produção de trabalhos que revolucionaram o campo de estudos da cultura, porém, procurando sempre preservar com relação à abordagem um enfoque crítico. Armand Mattelart (1999:20-2) enfatiza que o objetivo de realizar um balanço crítico atravessa todos os projetos na área do audiovisual, sendo que a produção do Ministério da Pesquisa e da Tecnologia – envolvendo pesquisadores do CNRS, das Universidades e do INA – é reveladora dessa preocupação. Nessa geração desponta, entre os pioneiros e como inovador, Michel de Certeau (1980), que, através de seu trabalho tematizando as "artes de fazer", redimensionou os estudos sobre recepção, retirando-os do impasse construído pelas teorias funcionalistas. Richard Hoggart (1975), um dos fundadores dos Cultural Studies, também é figura fundamental na concretização desses estudos, com a obra precursora As utilizações da cultura, cuja primeira edição é de 1957. Contudo, Armand Mattelart observa que o "enfoque precoce sobre os receptores nas análises de Hoggart não impedem que suas hipóteses permaneçam profundamente marcadas pela desconfiança face à industrialização da cultura. A própria idéia de resistência das classes populares que sustenta a aproximação das práticas culturais das mesmas está ancorada nesta crença." (Mattelart e Neveu, 1996:17).
Ainda em relação às indústrias culturais, não pode deixar de apontar que elas já atraíram a atenção até mesmo de um sociólogo do porte de Pierre Boudieu. Em 1974 Bourdieu enfocou as empresas de jornalismo em um artigo na revista Actes de la recherche en sciences sociales. Posteriormente publicou um pequeno livro, já traduzido para o português em 1997, com o título Sobre a televisão (Bourdieu, 1997). Pode-se citar, na discussão sobre "informação e comunicação", a recente entrevista de Armand Mattelart (2001) –professor de l'Université Paris VIII –, na qual menciona uma "outra" sociedade de informação, que poderia beneficiar uma maioria.
Aqui, concentra-se a abordagem na França, onde essa relação entre Estado, mercado e pesquisa acadêmica é muito forte, dando origem a esse modelo de organização que fortaleceu a indústria cultural francesa e a vem tornando competitiva no contexto globalizado. O objetivo da pesquisa realizada no espaço francês foi elaborar uma análise que estabelecesse um contraponto com a história e a organização do contexto brasileiro. No entanto, é inevitável, e impossível, qualquer abordagem da indústria audiovisual no segundo milênio sem se referir à produção norte-americana, que ainda permanece como uma referência forte no espaço globalizado, com a qual as demais produções têm necessariamente que se defrontar.